segunda-feira, 16 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Dicionário do Mofino 54
Praia, s.f. Segundo os especialistas, formação geológica composta por partículas soltas de mineral ou
rocha na forma de areia, cascalho, seixos ou calhaus, ao longo da margem de uma
extensão de água fria, e que seria um sítio agradável acaso não possuísse
nenhum dos incómodos atrás enunciados e todos os cómodos de uma sala de estar; lugar
onde até o cidadão mais grave e circunspecto se espolinha na areia a frigir ao
sol; local onde se mostra que a nudez edénica é o estado natural de raríssimos
animais humanos; O Jardim das Delícias em dia de aperto; lascívia e horror.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Iberismo
Escreveu-o Bellow no Jerusalém: fracasso e culpa nacionais
são uma forma de comunhão. Mas a comungarmos
na expiação unitiva da dívida-culpa, não
será possível, amanhã, comungarmos o fracasso espectacular dos futebóis. Que se cuidem portugueses e
espanhóis. Depois do resgate espanhol e da ameaça de mais austeridade em Portugal,
uma superfície frontal depressiva ameaça a Ibéria. Com resultado imprevisível.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Dicionário do Mofino 53
Exame, s.m. Exumação dos restos mortais do defunto ano
lectivo, e o seu translado para uma folha branca, marginada e rubricada, sob o
olhar atento de dois defunteiros designados vigilantes; a via crucis do estudante, que o leva da
ignorância à sabedoria franciscana de Fernando de Bulhões: não é sábio quem sabe mais do que é preciso; o de consciência, em que examinando e examinador coincidem, foi
considerado perversamente freudulento, já fez o mea culpa e foi ao divã.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Manual do Aplicador
Quando, há alguns anos atrás, o Ministério da Educação publicou essa magnus
opum sobre o comportamento decente do
docente /vigilante às provas de aferição do 9ºano, o Manual do Aplicador, desde logo se soube que o pouco siso daria
lugar ao riso e ao absurdo. Quando, há alguns anos atrás, o furor regulamentador do
ministério da educação definiu, até ao ridículo e à ninhice, todo o processo de
aplicação dos exames, tratando os professores como imbecis, a derrisão já
espreitava, escarninha, mofenta. Esta gente não percebe que quando se quer ser
obsessivamente minucioso a minúcia nunca basta, e desatou a
regulamentar o bom senso como se ele fosse a coisa mais mal distribuída nos
professores. E, nas reuniões preparatórias, perguntou-se: a que velocidade deve andar na sala o professor vigilante para não
perturbar a quietação do momento? As escolas darão graciosamente umas
pantufinhas furta-passos? A garridice do vestuário é permitida? Não ofuscará a
inteligência do examinando? Os rótulos das garrafas de água devem ser
retirados? Não podem conter informação à sorrelfa?
O ministério diz que há centenas de queixas: alunos que encasquetam o tictac
dos professorais relógios e desatinam; alunos perturbados pela garridice taful
e tamanho de saias, blusas e demais formosuras das professoras; alunos nevrosados
pela chiante meia-sola; alunos a quem petrifica o miolo pelo simples olhar do
professor vigilante. Há queixas que não lembram ao diabo, mas a minudente
lógica ministerial a todas provê, prevê,
regulamenta e, finalmente, a todos arregimenta para o seu zeloso cumprimento.
Agora que os exames se preparam para ser a grande via crucis para a perfeição do sistema, as notícias não são boas.
Preparem-se, amigos professores! Ouve-se e teme-se. Ouve-se que o ministério se
prepara para reeditar, em edição revista e aumentada (dois volumes, 500 páginas), o Manual do Aplicador. Ouve-se que no índice remissivo só a palavra fraude terá 232 a entradas. Temem-se
longas sessões de laboriosa exegese, milhentas horas de formação creditada,
quiçá teses de mestrado e doutoramento. Teme-se que o Manual seja uma espécie
de Código de Hamurabi, a Cabala.
Teme-se, enfim, que não responda à presuntiva questão: e se, de repente, um examinando lhe oferecer flores?
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Coimbrinha (série) A
segunda-feira, 21 de maio de 2012
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