É sabido e consabido: o
dinheiro pode provir de bordel, das estrumeiras tóxicas do sistema financeiro
internacional, do pacote de cocaína, do sangramento de povos e gentes, mas fica
sempre irrepreensivelmente inodoro, incolor e insípido no mesmo lugar - os
bancos. Já no século XVIII os bancos suiços eram famosos, e Voltaire
recomendava: Se alguma vez virdes um
banqueiro suiço a saltar de uma janela, atirai-vos atrás dele. De certeza que
se deverá ganhar dinheiro com isso.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
terça-feira, 22 de julho de 2014
Guia dos Perplexos/...fui acometido de um estupor catatónico que só me abandonou depois de ler o acrónimo milf na última crónica do Henrique Raposo.
Como o Sá de Miranda, m`espanto às vezes, outras m`avergonho,
mas hoje, ao ouvir o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné Equatorial a
jurar e trejurar em Castelhano que o Presidente do seu país e ele próprio já
iniciaram cursos intensivos de Português, fui acometido de um estupor
catatónico que só me abandonou depois de ler o acrónimo milf na última crónica do Henrique Raposo.
domingo, 13 de julho de 2014
Dicionário do Mofino 57/Psicanálise, s.f. Forma peculiar de logoterapia em que a vida pretérita do paciente ajuda a solucionar a vida vindoura do psicanalista, mediante um processo tecnicamente designado como transferência
Psicanálise, s.f.
Forma peculiar de logoterapia em que a vida pretérita do paciente ajuda a solucionar
a vida vindoura do psicanalista, mediante um processo tecnicamente designado como transferência; confissão sem
penitência, mas igualmente cara; segundo Bloom, Hamlet não tinha complexo de Édipo, mas Freud com certeza tinha um
complexo de Hamlet e a psicanálise talvez não seja outra coisa senão um
complexo de Shakespeare, o que indicia que Bloom tem, com certeza, um complexo
de Freud; a depender de Zeca Baleiro,
(…)
Os psicanalistas estão
fritos
Eu mesmo é que resolvo
os meus conflitos
Com aspirina, amor ou
com cachaça
Os gritos todos virarão
fumaça
A dor é coisa que dói e
que passa
Curar feridas só o
tempo há-de.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Vão perdoar-me, mas é que depois de me lembrar deste texto do Henrique Raposo, ontem publicado no Expresso Diário, e do Victor Gaspar no regaço de Herr Schäuble, em Maio de 2013, afirmo desde já para memória futura que, se a Argentina ganhar à Alemanha, serei acometido por uma alegria breve e animosa, para a qual os alemães, aliás, têm o vocábulo exacto - Schadenfreude. Raposo e Schäuble - 0/Borges – 1.
Não direi como Borges que
el fútbol es uno de los mayores crímenes
de Inglaterra (o autor argentino escreveu com Adolfo Bioy Casares um conto
sobre a natureza delusória do futebol, intitulado berkleyanamente Esse Est Percipi), mas o enfartamento de
nacionalismo hinologista e patrioteiro associado ao campeonato do mundo faz-me
mal ao esprit de finesse, e, como
diria o Borges, el nacionalismo sólo
permite afirmaciones y, toda doctrina que descarte la duda, la negación, es una
forma de fanatismo y estupidez. Ora nem mais! Mas depois do amargor deste
sentimento fricativo que o Borges e eu temos pelo futebol e pelos nacionalismos,
gostaria de vos falar de um sentimento mais jovial.
Vão perdoar-me, mas é
que depois de me lembrar deste texto do Henrique Raposo, ontem publicado no
Expresso Diário, e do Victor Gaspar no
regaço de Herr Schäuble, em Maio de 2013, afirmo desde já para memória
futura que, se a Argentina ganhar à Alemanha, serei acometido por uma alegria
breve e animosa, para a qual os alemães, aliás, têm o vocábulo exacto - Schadenfreude. Raposo e Schäuble - 0/Borges
– 1.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
De cada vez que invoca as estatísticas sobre a pobreza, e ao contrário da moça de Millôr que cruza as pernas com o cuidado de quem protege um instrumento de precisão...
De cada vez que invoca
as estatísticas sobre a pobreza, e ao contrário da moça de Millôr que cruza as
pernas com o cuidado de quem protege um instrumento de precisão, Passos Coelho
cruza os dedos com tal impudência que faz ruborizar São Rubicundo. Valha-nos
Deus!
terça-feira, 8 de julho de 2014
Mas continua a não haver nada para salvar – a saúde é um estado transitório que não augura nada de bom...
O dever da felicidade
nas sociedades actuais, escreveu-o Pascal Bruckner, cumplicia com o dever de
bem-aventurança na saúde e com o seu martirológico, a via crucis dos ginásios, das dietas, da provação da privação. Vigiar
o corpo insurrecto, lugar de ameaça latente, da doença, do prazer vicioso, do
excesso de peso, do insidioso colesterol, tornou-se a obsessão da ideologia da
longevidade e da juventude que, di-lo Bruckner, é a ideologia das nações envelhecidas e dá do Ocidente a imagem de um
serviço de geriatria. Durante séculos tentaram, debalde, salvar-nos a alma.
Recusámos. Em boa verdade, não havia nada para salvar. Hoje, depois de um olhar
clínico corredio ter deslizado pelo inculpante hemograma, querem resgatar-me o
corpo malsão e santificá-lo por uma saúde longeva; querem o são corpo glorioso
ressurrecto, do açúcar, do sedentarismo, do colesterol. Mas continua a não
haver nada para salvar – a saúde é um
estado transitório que não augura nada de bom e o seu maior proveito é o silêncio
dos órgãos, isto é, o descaso negligente de si mesma.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Diário dos Perplexos/Arvorado o latrocínio em modelo profético, pergunta-se pois: a quem pertencem os pobrezinhos?
Profetizado para
sobrevir numa sociedade industrializada e proletarizada, o advento do comunismo
histórico, advindo como ladrão na noite, materializou-se, porém, em sociedade
predominantemente agrária. Cristo foi crucificado com dois ladrões a deslado (um deles bom) e as
Escrituras estão inçadas de ladroagem. Arvorado o latrocínio em modelo
profético, pergunta-se pois: a quem pertencem os pobrezinhos?
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