sábado, 27 de dezembro de 2014

Está mais que visto que o engenheiro Sócrates, engolfado na cava literatura filosófica, não tem tempo para escrevedores do terrunho, maçónicos e, para mais, coimbrinhas.

Grassa por aí uma zoeira do caraças, não sei se por mor dos livros, da literacia ou do próprio engenheiro Sócrates, que já se mostrou muito leúdo e perleúdo em saberes vários. Ougadinho que ando por escarcéu, e se às escâncaras se faz justiça e às escâncaras se mostra a vida do presídio e as rotinas dos domiciliados, estou em condições de jurar e trejurar serem estes os livros de filosofia em francês, encomendados pelo alvo da Operação Marquês: leitura recreativa da pop philosophy : La Passion de la méchanceté: sur un prétendu divin marquis, Michel Onfray; leitura densa e micrológica: Métaphysique du bonheur réelAlain Badiou; leitura consolatória, self help philosophy: La Pensée console de tout, Sébastien-Roch Nicolas Chamfort.
Está mais que visto que o engenheiro Sócrates, engolfado na cava literatura filosófica, não tem tempo para escrevedores de terrunho, maçónicos e, para mais, coimbrinhas.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Diário dos Perplexos/Sobre a diversidade multímoda dos ditadores, e preferências dilectas que suscitam, há a inigualável teoria republicana Kissinger, também conhecida como a teoria do filho da puta

Sobre a diversidade multímoda dos ditadores, e preferências dilectas que suscitam, há a inigualável teoria republicana Kissinger, também conhecida como a teoria do filho da puta ("É um filho da puta, mas é o nosso filho da puta"). Este não é o deles. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Prof.

De novo, isto. A burocracia nossa de cada fim de período. Pensar nas tarefas e nos vocábulos que as designam. Um arrepio mental somatizado nas vértebras sacrais. Priorizar (horror e pavor!) o trabalho cria o primeiro impulso e quase gera a auto-satisfação do dever cumprido. Duas actas (o relato verosímil do inverosímil quotidiano da escola); dois relatórios (a burocracia, labor de Sísifo: empurrar a pedra até ao topo, vê-la rolar, recomeçar); um plano de educação sexual (É o seculo XX/É o sexo vintage//A nossa doença, a nossa militância – o Reininho de Freud & Ana); o catar das faltas e o seu cômputo em aplicação informática com tanto escaninho como um contador manuelino (a tecnognose das TIC a fagocitar a escrita, a leitura e a sua potentia crítica).  Depois, ajusto as mangas-de-alpaca e registo: João, dez faltas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Dicionário do Mofino/ Palavras do ano/Selfie, s.f. A continuação da masturbação por outros meios...

Selfie, s.f. A continuação da masturbação por outros meios; o mesmo que esgaramentar a laustríbia do ego (pace, Ramiro!), isto é, fazer o acto de amor com a pessoa de quem você realmente gosta (pace, Allen!); Wilde dizia que a cara de um homem é a sua autobiografia e a cara da mulher a sua obra de ficção, pelo que as selfies se alteiam ao género fantástico, oscilando, em paro, entre a fantasia e o horror.

Gamificação, s.f. Aposto cem euros em como ninguém sabe quem foi o insecto estercorário que estercou este esterco linguístico.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Dicionário do Mofino/palavras do ano - Basqueiro, s.m. nome colectivo de uso pós prandial para designar um conjunto de deputados reunidos em sessão plenária. Não confundir com vasqueiro, que designa o período histórico-político conhecido como Gonçalvismo.

Basqueiro, s.m. nome colectivo de uso pós prandial para designar um conjunto de deputados reunidos em sessão plenária. Não confundir com vasqueiro, que designa o período histórico-político conhecido como Gonçalvismo.


Cibervadiagem, s.f. ir ali já vir sem daqui sair.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Dicionário do Mofino/Palavras do ano - Xurdir, v. Fazer pela vida e acabar morto é o equivalente transmontano do cogitar e cogito cartesianos...

Xurdir, v. Fazer pela vida e acabar morto é o equivalente transmontano do cogitar e cogito cartesianos. Xurdo, ergo sum – xurdo, logo existo - é a verdade primeira, clara e distinta, do sistema metafísico transmontano.

Banco, s. m. Glosando Hope, a única entidade que empresta o dinheiro que pensamos não precisar a quem conseguir provar não precisar muito dele; para além da geromancia – a adivinhação do futuro através da leitura de vísceras praticada pelos arúspices – e do casamento com mulher rixosa, contrair um empréstimo num banco sempre foi uma forma excelente de antever o futuro; depois de John Galbraith ter afirmado que a maneira como os bancos ganham dinheiro é tão simples que é repugnante, os bancos engendraram mil e outras maneiras de o ganhar, especiosas e igualmente repugnantes – os produtos financeiros; instituição sortílega e taumaturga que compra e vende dinheiro e é biblicamente capaz de, depois de transformar uma depositada nota de 100 em duas de 50, fazer escafedê-lo.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ou me engano muito ou este último é o caso da nominal christianity de Canelas. Disse Tibério aos seus comandantes que um bom pastor tonsura suas reses, não as esfola, mas em Canelas são as reses a querer tonsurar o pastor, quiçá esfolá-lo.

No livro The Mechanical Operation of the Spirit, Jonathan Swift, homem de humores gasosos, analisa o entusiasmo religioso, define-o como um alcandorar da alma ou das suas faculdades acima da matéria, e descreve as três formas tradicionais de ejaculating the soul: a inspiração, a partir de cima; a possessão, a partir de baixo; o processo natural de conjunções fortes ou paixão. Acrescenta ainda uma quarta, o arrebatamento auto-induzido, resultante de um efeito de artifício e operação mecânica, e no qual todas as crenças e práticas religiosas se tornam numa questão de vapores destilados. Ou me engano muito ou esta última é o caso da nominal christianity de Canelas. 
Disse Tibério aos seus comandantes que um bom pastor tonsura suas reses, não as esfola, mas em Canelas são as reses a querer tonsurar o pastor, quiçá esfolá-lo.