Esta notícia não nos dá
conta do acaso, resultado da conjunção de diferentes séries causais num evento
infausto – é signo da devastação que assola o país. Foucault ensinou-nos que o corpo é uma realidade biopolítica, a
medicina é uma estratégia biopolítica, e que o poder já não é o poder de fazer morrer e deixar viver, mas sim,
conversamente, o poder de fazer viver e
deixar morrer. E se nos aturdem notícias como esta, é porque andamos
distraídos: enquanto o ministro Paulo Macedo se devota a uma sage ataraxia e imperturbabilidade, há
urgências que parecem hospitais de campanha, faltam médicos, enfermeiros,
material, toalhas, pijamas, e aos meios terapêuticos e auxiliares de diagnóstico
é aplicado um estrito racionamento ou, em versão mais edulcorada porque a puta
da razão é de quem lhe assobia, racionalização.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
E se nos aturdem notícias como estas, é porque andamos distraídos: enquanto o ministro Paulo Macedo se devota a uma sage ataraxia e imperturbabilidade, há urgências que parecem hospitais de campanha, faltam médicos, enfermeiros, material, toalhas, pijamas, e aos meios terapêuticos e auxiliares de diagnóstico é aplicado um estrito racionamento ou, em versão mais edulcorada porque a puta da razão é de quem lhe assobia, racionalização
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Agora tudo está em aberto. Era a isto que se referia Slavoj Žižek quando avisou que o casamento entre o capitalismo e a democracia acabou.
Agora
tudo está em aberto. Era a isto que se referia Slavoj Žižek
quando avisou que o casamento entre o capitalismo
e a democracia acabou.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Mandelbrot e o espaço político entre a esquerda do centro e a outra esquerda
À semelhança das
estruturas e imagens fractais, cuja propriedade fundamental é a autosimilitude, o espaço político entre a esquerda do centro e a outra esquerda (que existe e é grande, Rui Tavares dixit)
ameaça transformar-se numa ontologia política fractal: os mesmos motivos, estruturas e representações
políticas, os mesmos dispositivos retóricos aparecem em distintas escalas,
em inúmeras escalas, num processo de iteração mesmerizante fastidiosa. Apesar do
brilho, a entrevista de Rui Tavares à TSF dá conta disso mesmo.
sábado, 27 de dezembro de 2014
Está mais que visto que o engenheiro Sócrates, engolfado na cava literatura filosófica, não tem tempo para escrevedores do terrunho, maçónicos e, para mais, coimbrinhas.
Grassa por aí uma zoeira do caraças, não sei se por mor dos livros, da literacia ou do próprio engenheiro Sócrates, que já se mostrou muito leúdo e perleúdo em saberes vários. Ougadinho que ando por escarcéu, e se às escâncaras se faz justiça e às escâncaras se mostra a vida do presídio e as rotinas dos domiciliados, estou em condições de jurar e trejurar serem estes os livros de filosofia em francês, encomendados pelo alvo da Operação Marquês: leitura recreativa da pop philosophy : La Passion de la méchanceté: sur un prétendu divin marquis, Michel Onfray; leitura densa e micrológica: Métaphysique du bonheur réel, Alain Badiou; leitura consolatória, self help philosophy: La Pensée console de tout, Sébastien-Roch Nicolas Chamfort.
Está mais que visto que o engenheiro Sócrates, engolfado na cava literatura filosófica, não tem tempo para escrevedores de terrunho, maçónicos e, para mais, coimbrinhas.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Diário dos Perplexos/Sobre a diversidade multímoda dos ditadores, e preferências dilectas que suscitam, há a inigualável teoria republicana Kissinger, também conhecida como a teoria do filho da puta
Sobre a diversidade multímoda dos ditadores, e preferências
dilectas que suscitam, há a inigualável teoria republicana Kissinger, também
conhecida como a teoria do filho da puta ("É um filho da puta, mas é o
nosso filho da puta"). Este não é o deles.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Prof.
De novo, isto. A burocracia nossa de
cada fim de período. Pensar nas tarefas e nos vocábulos que as designam. Um
arrepio mental somatizado nas vértebras sacrais. Priorizar (horror e pavor!) o
trabalho cria o primeiro impulso e quase gera a auto-satisfação do dever
cumprido. Duas actas (o relato verosímil do inverosímil quotidiano da escola);
dois relatórios (a burocracia, labor de Sísifo: empurrar a pedra até ao topo,
vê-la rolar, recomeçar); um plano de educação sexual (É o seculo XX/É o sexo
vintage//A nossa doença, a nossa militância – o Reininho de Freud & Ana); o
catar das faltas e o seu cômputo em aplicação informática com tanto escaninho
como um contador manuelino (a tecnognose das TIC a fagocitar a escrita, a
leitura e a sua potentia crítica).
Depois, ajusto as mangas-de-alpaca e registo: João, dez faltas.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Dicionário do Mofino/ Palavras do ano/Selfie, s.f. A continuação da masturbação por outros meios...
Selfie, s.f. A continuação
da masturbação por outros meios; o mesmo que esgaramentar a laustríbia do ego (pace, Ramiro!), isto é, fazer o acto de
amor com a pessoa de quem você realmente gosta (pace, Allen!); Wilde dizia que a cara de um homem é a sua autobiografia e a
cara da mulher a sua obra de ficção, pelo que as selfies se alteiam ao género fantástico, oscilando, em paro, entre a fantasia e o horror.
Gamificação, s.f. Aposto
cem euros em como ninguém sabe quem foi o insecto estercorário que estercou
este esterco linguístico.
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