quarta-feira, 4 de março de 2015

Descartes para primeiros-ministros/Discurso Sobre o Método de Obnubilar a Razão na Busca da Verdade Dentro da Ciência Fiscal.

"Em seguida, reflectindo sobre o facto de dever, constatei, por conseguinte, que o meu ser não era completamente perfeito, pois via claramente que não dever era uma perfeição maior do que dever; lembrei-me de procurar onde aprendera a pensar em algo mais perfeito do que eu era, e soube evidentemente que devia ser de uma qualquer natureza que fosse mais perfeita, sei lá, o Wolfgang Schäuble.”

Passos, Discurso Sobre o Método de Obnubilar a Razão na Busca da Verdade Dentro da Ciência Fiscal.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Em 2012, Larry Flynt, fundador da revista pornográfica Hustler, oferecia um milhão de dólares (780 mil euros) em troca de informações sobre os impostos do candidato republicano às presidenciais norte-americanas, o milionário...


Em 2012, Larry Flynt, fundador da revista pornográfica Hustler, oferecia um milhão de dólares (780 mil euros) em troca de informações sobre os impostos do candidato republicano às presidenciais norte-americanas, o milionário Mitt Romney. Em anúncios de uma página nas edições dos jornais norte-americanos Washington Post e USA Today, Flynt mostrava-se disposto a pagar em troca de informações “inéditas sobre os impostos e/ou detalhes sobre as contas bancárias, offshores e negócios”.
Em Portugal, o fisco instaurou 137 processos por consulta indevida de dados fiscais, mas Larry Flynt tinha razão: ao contrário da nudez, nenhum obscenus deve ser castigado.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Gosto muito da inteligência política distractiva do ministro dos negócios estrangeiros. O mundo político esbraceja nevrosado, cá em baixo, e o Rui Machete ideia qualquer coisinha e di-la de chofre e sem rebuço, lá em cima.

Gosto muito da inteligência política distractiva do ministro dos negócios estrangeiros. O mundo político esbraceja nevrosado, cá em baixo, e o Rui Machete  ideia qualquer coisinha e di-la de chofre e sem rebuço, lá em cima. Ainda agora, enquanto a multidão política forcejava na hermenêutica do discurso desse mestre na organização do exílio financeiromonsieur Juncker, e já Rui Machete falava em reparações devidas a Portugal pela troika. Ora digam lá que o homem não tem o retórico kairos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Vasco Pulido Valente, cativo do estilo longividente e panóptico de alguns historiadores, assesta a mirada histórica no lado de lá e diz de chofre que o que está aqui é o que está lá. E o resto são maçadorias e verduras da juventude do grego. E não era o dia de dar esmola ao pobrezinho da senhora. E o Pulido Valente vê mal ao perto.



                                 
O hábito não faz o monge, mas fá-lo parecer de longe. Para o Vasco Pulido Valente, o homem é o estilo e o estilo é o homem. Não há ideia vácua que melhor assente ao atavio da prosa do cronista. O Vasco Pulido Valente, cativo do estilo longividente e panóptico de alguns historiadores, assesta  a mirada histórica no lado de lá e diz de chofre que o que está aqui é o que está lá. E o resto são maçadorias e verduras da juventude do grego. E não era o dia de dar esmola ao pobrezinho da senhora. E o Pulido Valente vê mal ao perto.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Singer para ministros da saúde

Suponha que tem um cancro galopante num rim. Vai matá-lo,  provavelmente no próximo ano ou no seguinte. Uma droga chamada Sutent abranda a disseminação do cancro e pode dar-lhe seis meses extra de sobrevida, mas custa 45 mil dólares. Valerão estes meses a mais tal valor?

Começa assim um artigo do filósofo Peter Singer, dado à estampa no New York Times em 15 de Julho de 2009 e intitulado Porque Devemos Racionar Os Cuidados de Saúde, no qual o especialista de Bioética Aplicada reflecte sobre os custos destes cuidados e as questões éticas atinentes ao seu virtual racionamento.
Singer concita-nos a pensar esta questão à luz da consabida anedota em que um homem pergunta a uma mulher se aceita ter sexo com ele por um milhão de dólares. Ela reflecte durante algum tempo e aceita a proposta. “Então”, continua ele, “e se for por cinquenta dólares?” Indignada, a mulher exclama: “ Mas que tipo de mulher é que pensa que eu sou?” Ele responde: “sobre isso já estamos conversados, agora só estamos a negociar o preço.” Como diz Singer, à resposta do homem subjaz a a assumpção principial de que, se a mulher está disponível para se vender por um qualquer preço e aceita considerar monetariamente a sua honra, a mulher é uma prostituta imoral. Advoga o autor que à forma como encaramos o racionamento nos cuidados de saúde subjaz uma assumpção similar - a de que é imoral aplicar considerações monetárias quando se trata de salvar vidas. Pergunta Singer: é esta assumpção sustentável e realista?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A crer na Apologia de Sócrates, de Platão, as derradeiras palavras de Sócrates relembravam uma dívida por si contraída e apelavam a Críton para que a saldasse - Eu devo um galo a Esculápio, vais lembrar-te de pagar a dívida?

A crer na Apologia de Sócrates, de Platão, as derradeiras palavras de Sócrates relembravam uma dívida por si contraída e apelavam a Críton para que a saldasse - Eu devo um galo a Esculápio, vais lembrar-te de pagar a dívida? Consta que Esculápio nunca lhe ferrou o dente, naturalmente porque Críton se esqueceu e os deuses são falhos de dentes.
Desde a Antiguidade, de Platão a Sandel, passando por Nietzsche e Benjamin, que os filósofos se preocupam com as dívidas. Este, coevo, deve ser lido pelos gregos com atenção.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Voltemos à vaca fria. Os relatos dos paralíticos e dos pinguins do nosso dos Santos são relatos do jornalista que ainda não decidiu se o mundo pertence ao género realista ou ao género fantástico...

Voltemos à vaca fria. Os relatos dos paralíticos e dos pinguins do nosso dos Santos são relatos do jornalista que ainda não decidiu se o mundo pertence ao género realista ou ao género fantástico. Mas o problema deste jornalista, de todos os jornalistas, di-lo Kraus, é terem uma rara habilidade a expressar as ideias que não têm, o que significa que a ideologia da comunicação não tem horror ao vazio.