quarta-feira, 25 de março de 2015

Prof./os terrores da performatividade


A Mitologia subjectivou-se, e a heroicidade revela-se hoje num eu performativo inscrito nas diversas esferas da existência social. O culto do indivíduo sobreactivo, que forceja insanamente para maximizar todas as suas performances na profissão, na forma física, no sexo, no consumo, no envelhecimento (nas sociedades hipermodernas de horror à senescência, envelhecer é a performance por excelência), faz parte do sincretismo ideológico hodierno. Liptovesky já escreveu bastamente sobre a cultura da performance, da superação e da excelência - todos estimulados, todos determinados a ser competitivos, a correr riscos, a chegar ao topo –, mas foi Stephen Ball quem melhor descreveu os terrores da performatividade do moderno homo docens – o professor: relatórios atrás de relatórios, actas atrás de actas, justificações atrás de justificações, avaliações atrás de avaliações, evidências atrás de evidências, exames atrás de exames.

sexta-feira, 20 de março de 2015

A Vertigem das Listas/Umberto Eco gosta omnivoramente de listas, inclusive das viperinas...


Umberto Eco gosta omnivoramente de listas, inclusive das viperinas. Aguardemos a nova edição, revista e aumentada.


quinta-feira, 5 de março de 2015

Al-Karim ("o Nobre")


O teólogo Hans Küng, na sua obra Islam: Past, Present and Future, assevera que o estado do conhecimento do Islão entre muitos dos seus contemporâneos é de nível medieval. Embora imprecisa, a adjectivação confessa a ignorância cristã do Islão, que é também a ignorância da sua herança textual matricial – o Corão
.
«O primeiro monumento da língua árabe contém, segundo uma compilação do século XIII, 323015 letras, 77439 palavras, mais de 6000 versículos e 114 suratas. Um livro de modesta extensão, comparado aos mastodontes de outros monoteísmos. Mas um livro de difícil acesso, que passa de versículos de beleza selvagem a declarações longas e fastidiosas. É necessário dizer que foi feito para ser recitado, e que neste caso – dizem aqueles que são capazes – possui uma força retórica excepcional. Os outros aproveitarão em pedir aos filósofos-barqueiros que os façam passar da margem para o texto.»


                                                                                                      Philosophie Magazine

quarta-feira, 4 de março de 2015

Descartes para primeiros-ministros/Discurso Sobre o Método de Obnubilar a Razão na Busca da Verdade Dentro da Ciência Fiscal.

"Em seguida, reflectindo sobre o facto de dever, constatei, por conseguinte, que o meu ser não era completamente perfeito, pois via claramente que não dever era uma perfeição maior do que dever; lembrei-me de procurar onde aprendera a pensar em algo mais perfeito do que eu era, e soube evidentemente que devia ser de uma qualquer natureza que fosse mais perfeita, sei lá, o Wolfgang Schäuble.”

Passos, Discurso Sobre o Método de Obnubilar a Razão na Busca da Verdade Dentro da Ciência Fiscal.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Em 2012, Larry Flynt, fundador da revista pornográfica Hustler, oferecia um milhão de dólares (780 mil euros) em troca de informações sobre os impostos do candidato republicano às presidenciais norte-americanas, o milionário...


Em 2012, Larry Flynt, fundador da revista pornográfica Hustler, oferecia um milhão de dólares (780 mil euros) em troca de informações sobre os impostos do candidato republicano às presidenciais norte-americanas, o milionário Mitt Romney. Em anúncios de uma página nas edições dos jornais norte-americanos Washington Post e USA Today, Flynt mostrava-se disposto a pagar em troca de informações “inéditas sobre os impostos e/ou detalhes sobre as contas bancárias, offshores e negócios”.
Em Portugal, o fisco instaurou 137 processos por consulta indevida de dados fiscais, mas Larry Flynt tinha razão: ao contrário da nudez, nenhum obscenus deve ser castigado.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Gosto muito da inteligência política distractiva do ministro dos negócios estrangeiros. O mundo político esbraceja nevrosado, cá em baixo, e o Rui Machete ideia qualquer coisinha e di-la de chofre e sem rebuço, lá em cima.

Gosto muito da inteligência política distractiva do ministro dos negócios estrangeiros. O mundo político esbraceja nevrosado, cá em baixo, e o Rui Machete  ideia qualquer coisinha e di-la de chofre e sem rebuço, lá em cima. Ainda agora, enquanto a multidão política forcejava na hermenêutica do discurso desse mestre na organização do exílio financeiromonsieur Juncker, e já Rui Machete falava em reparações devidas a Portugal pela troika. Ora digam lá que o homem não tem o retórico kairos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Vasco Pulido Valente, cativo do estilo longividente e panóptico de alguns historiadores, assesta a mirada histórica no lado de lá e diz de chofre que o que está aqui é o que está lá. E o resto são maçadorias e verduras da juventude do grego. E não era o dia de dar esmola ao pobrezinho da senhora. E o Pulido Valente vê mal ao perto.



                                 
O hábito não faz o monge, mas fá-lo parecer de longe. Para o Vasco Pulido Valente, o homem é o estilo e o estilo é o homem. Não há ideia vácua que melhor assente ao atavio da prosa do cronista. O Vasco Pulido Valente, cativo do estilo longividente e panóptico de alguns historiadores, assesta  a mirada histórica no lado de lá e diz de chofre que o que está aqui é o que está lá. E o resto são maçadorias e verduras da juventude do grego. E não era o dia de dar esmola ao pobrezinho da senhora. E o Pulido Valente vê mal ao perto.