Isto
de obrar impossíveis de quotio é
coisa para santarrão de aldeia ou pastor da IURD: ensinar o inensinável a quem
não quer aprender é o ofício nosso de cada dia. Com tal feito m`espanto às vezes, outras m`avergonho,
mas rareia o dia em que, olhando estoicamente para eles e para mim, não
rememore a sageza de Epicteto: todos os
lugares são prisões se não desejamos lá estar.
terça-feira, 5 de maio de 2015
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Coimbrinha B/Pois, então, com profusão de eferreás, urras, urros e evoés sortidos, abriu a época da histeria ébria universitária...
Dizia o
Fialho de Almeida, viperino, que o futrica tinha duas aptidões
atavísticas: a d`irmão do Santíssimo e a
de levar lambada de estudante. Hoje em dia o Santíssimo joga na primeira
divisão, e embora o futrica já não dê a outra face, continua em sarapanto com a
pasmosa boa-vai-ela estudantil.
Pois, então, com profusão
de eferreás, urras, urros e evoés sortidos, abriu a época da histeria ébria
universitária. E é um mimo vê-los, agora com grande aparato de selfies e vídeos, a quitar à voragem do momento a pose simiesca, a vomição geral, a géstica da canzana ou do felatio.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Menoscabo da Viagem/...viajar é a última fantasia que o século XX nos deixou...
Há um ror de anos,
Pascal, pungido por dores de estômago e enxaquecas malinas, terá escrito que todos os males acontecem ao homem por ele
não ficar quieto no seu quarto, e Proust, o eremita do quarto forrado a cortiça, apegou-se ao apólogo como
romeiro ao orago e por aí se quedou.
Os grandes mestres do
desassossego e da inquietação eram homens que frequentemente se encontravam imobilizados,
e, a crer no Ballard de Millennium People,
viajar é a última fantasia que o século
XX nos deixou, a ilusão de que ir a algum lado nos ajuda a reinventarmo-nos.
Ora, qual é o homem judicioso que deseja tal coisa?
terça-feira, 14 de abril de 2015
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Sloterdijk Para Sampaio da Nóvoa e Paulo Morais
A propósito da crise da
credibilidade política, e num capítulo epigrafado com uma citação de Juvenal, Difficile est satyram non scribere (É difícil
não escrever uma sátira), o filósofo alemão Peter Sloterdijk rememora no livro
Mobilização Infinita uma singular tradição política romana. Sempre que um cidadão
se apresentava como candidato a um cargo público, desfilava pela cidade usando
uma toga imaculadamente branca, asseverando assim aos seus concidadãos a
condição de «candidus», cândido, isto é, candidatum. O que queriam eles dar a
saber? Segundo Sloterdijk, os Candidati desejavam dar a “saber que estavam
dispostos a perder a sua inocência; eram «as noivas» do princípio da realidade,
cujo potencial de desfloração é lendário desde o tempo dos Romanos”.
domingo, 5 de abril de 2015
Para que é que um homem de calças precisa de latim?
A este empenho, uma das
densíssimas personagens de Nemésio inquiriria: mas para que é que um homem de calças precisa de latim?
Fernando de Bulhões,
vulgo santo António, dizia que não é
sábio quem sabe mais do que é preciso, mas o saber sobre o que é preciso
aprender e ensinar carece de uma reflexão filosófica não trivial, que sobrepuje
as orientações políticas liberais do sistema de ensino das democracias (entre
as quais o infognosticismo e a lengalenga da ligação às empresas são exemplos
risíveis), já que estas menorizam as Letras, mingam os já depauperados
orçamentos dos departamentos de Artes e Humanidades, e consideram supérfluos e
ociosos todos os saberes que não se concretizem numa estrita techné.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
O resto são implicâncias monomaníacas do João Miguel Tavares
Para zurzir no número aventado do desemprego real proposto pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, estapafúrdio e hiperbólico, o João Miguel Tavares, que tem umas luzes tremeluzentes de história económica, invoca o annus horribilis de 1933 nos Estados Unidos e pergunta: Vinte-e-nove-por-cento?!? Só para termos uma noção, estima-se que a taxa de desemprego nos Estados Unidos em 1933, pleno pico da Grande Depressão, tenha batido nos 25%. Teremos nós um nível de desemprego real quatro pontos percentuais acima da maior depressão do século XX? João Miguel Tavares podia ter continuado: maior do que 23,9% dos espanhóis ( Novembro de 2014)? Maior do que os 25,7% dos gregos (Setembro de 2014)?
O resto são implicâncias monomaníacas do João Miguel Tavares, que a continência e o cautério do tempo quaresmal deviam sarar.
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