quarta-feira, 28 de setembro de 2011

SeX Files - Sexo e Evolução


A Psicologia Evolucionista é uma grande mestra. Segundo a sobredita, os nossos cérebros devem ter sido moldados segundo três princípios interligados: primeiro, fazer-nos desejar ter sexo com os melhores parceiros possíveis; segundo, assegurar a nossa própria sobrevivência para que o possamos fazer; e terceiro, proteger e sustentar a nossa descendência .
Corolário: ou a psicologia evolucionista está errada, ou, estando certa, o nosso sistema límbico ameaça meter-nos com uma tríade pior do que a Yakuza: primeiro, as amantes várias; segundo, os maridos ou parceiros das amantes; e terceiro – e venha o diabo e não escolha - , a mulher e a progenitura.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

SeX Files - AMOR É PROSA, SEXO É POESIA



Em 2004, Arnaldo Jabor, escritor e cronista carioca, conhecido em portugal através do programa Manhattan Connection e do espaço com o mesmo nome no Diário de Notícias, publicava o livro 'Amor é prosa, sexo é poesia' e reunia as suas melhores crónicas sobre as nossas obsessões, relações e ralações mais íntimas - sexo e amor, família, mulheres. Num ápice vendeu 120 mil exemplares, e uma dessas crónicas, precisamente a que dá título ao livro, inspirou Rita Lee, “essa hippie paródica que acabou a caretice de Sampa”, a escrever " Amor e Sexo". Nunca a nebulosa semântica da dualidade sexo-amor havia sido tão gracilmente glosada, cronicada, cantada. Pudera!, afinal o amor é Bossa Nova e o sexo é carnaval.



AMOR É PROSA, SEXO É POESIA

Sábado, fui andar na praia em busca de inspiração para meu artigo de jornal. Encontro duas amigas no calçadão do Leblon:
- Teu artigo sobre amor deu o maior auê... – me diz uma delas.
- Aquele das mulheres raspadinhas também... Aliás, que você tem contra as mulheres que barbeiam as partes? – questiona a outra.
- Nada... – respondo. – Acho lindo, mas não consigo deixar de ver ali nas partes dessas moças um bigodinho sexy... não consigo evitar... Penso no bigodinho do Hitler, do Sarney... Lembram um sarneyzinho vertical nas modelos nuas... Por isso, acho que vou escrever ainda sobre sexo...
Uma delas (solteira e lírica) me diz:
- Sexo e amor são a mesma coisa...
A outra (casada e prática) retruca:
- Não são a mesma coisa não...
Sim, não, sim, não, nasceu a doce polêmica ali à beira-mar. Continuei meu cooper e deixei as duas lindas discutindo e bebendo água-de-coco. E resolvi escrever sobre essa antiga dualidade: sexo e amor. Comecei perguntando a amigos e amigas. Ninguém sabe direito. As duas categorias trepam, tendendo ou para a hipocrisia ou para o cinismo; ninguém sabe onde a galinha e onde o ovo. Percebo que os mais “sutis” defendem o amor, como algo “superior”. Para os mais práticos, sexo é a única coisa concreta. Assim sendo, meto aqui minhas próprias colheres nesta sopa.
O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão posteriori pelos prazeres do sexo.
O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento.
No sexo, o pensamento atrapalha; só as fantasias ajudam. O amor sonha com uma grande redenção. O sexo só pensa em proibições: não há fantasias permitidas. O amor é um desejo de atingir a plenitude. Sexo é o desejo de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade sempre deslizante para a frente. O sexo é um desejo de acabar com a impossibilidade. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrário não acontece. Existe amor sem sexo, claro, mas nunca gozam juntos. Amor é propriedade. Sexo é posse. Amor é a casa; sexo é invasão de domicílio. Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é o MST. O amor é mais narcisista, mesmo quando fala em “doação”. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo no egoísmo. Amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio e veneno. Amor pode ser veneno ou remédio. Sexo também – tudo dependendo das posições adotadas.
Amor é um texto. Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do “outro”; o sexo, no mínimo, precisa de uma “mãozinha”. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até mas sozinhos, na solidão e na loucura. Sexo, não – é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. Amor muitas vezes e uma masturbação. Seco, não. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora, o amor vem de nós e demora. O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval.
Não somos vítimas do amor, só do sexo. “O sexo é uma selva de epiléticos” ou “O amor, se não for eterno, não era amor” (Nelson Rodrigues). O amor inventou a alma, a eternidade, a linguagem, a moral. O sexo inventou a moral também do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge. O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói – quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: “Faça amor, não faça a guerra”. Sexo quer guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas... O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica. O sexo sempre existiu – das cavernas do paraíso até as saunas relax for men. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provinciais do século XII e, depois, revitalizado pelo cinema americano da direita cristã. Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem – o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção. Sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controla-lo é programa-lo, como faz a indústria das sacanagens. O mercado programa nossas fantasias.
Não há saunas relax para o amor. No entanto, em todo bordel, FINGE-SE UM “AMORZINHO” PARA INICIAR. O amor está virando um “hors-d’oeuvre” para o sexo. O amor busca uma certa “grandeza”. O sexo sonha com as partes baixas. O PERIGO DO SEXO É QUE VOCÊ PODE SE APAIXONAR. O PERIGO DO AMOR É VIRAR AMIZADE. Com camisinha, há sexo seguro, MAS NÃO HÁ CAMISINHA PARA O AMOR. O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados. Sexo precisa da novidade, da surpresa. “O grande amor só se sente no ciúme” (Proust). O grande sexo sente-se como uma tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta). E por aí vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos afastar da morte. Ou não; sei lá... e-mails de quem souber para o autor.


Arnaldo Jabor - AMOR É PROSA, SEXO É POESIA

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Musicofilias: PAPA, POPE, PAPST, POPPA MUNDI - Pop Dell' Arte



Poppa Mundi (Coffiner Peste)

When Poppa mundi is dancing on the streets
When Poppa Mundi is jumping to the beat
When Poppa mundi is wishing on a star
All the world knows that Poppa mundi is a star
Laissez Poppa mundi voler comme un oiseau
Laissez Poppa mundi faire la revolution
Laissez Poppa mundi chanter à l`opera
Laissez Poppa mundi être une étoile
Se Poppa mundi dançasse pelas ruas
Se Poppa mundi saltasse nua para a lua
Se Poppa mundi sonhasse com papoilas
Poppa Mundi seria uma star

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Dicionário Do Mofino 38

Peripatético, s.m. "Peripatético" (em grego, περιπατητικός) é a palavra grega para 'ambulante' ou 'itinerante'; relativa ao hábito do filósofo grego Aristóteles, que lia e dava prelecções enquanto caminhava, furtando-se assim, segundo Bierce, às objecções dos discípulos ou, segundo versão mais avisada, intentando introduzir-se afanosamente no bicho-do-ouvido dos discípulos que teimavam bispar-se; tipo particular de pedestre versado em lógica, metafísica, cosmologia, zoologia, psicologia, política, poética, retórica e professo no solvitur ambulando ; praticante de marcha atlética que, sendo filósofo, mantém pelo menos os dois pés sem contato com o solo; bípede sem plumas exercitando o género e maldizendo a diferença específica.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

ARISTÓTELES — ANTES, AGORA E DEPOIS




ARISTÓTELES — ANTES, AGORA E DEPOIS
TERCEIROS ENCONTROS DE FILOSOFIA ANTIGA

29 de Outubro de 2011
Auditório do Museu Monográfico de Conímbriga

9:10: Recepção dos participantes
9:30: Abertura
9:45: Aristóteles e o seu tempo – Tomás Calvo Martinez (UCMadrid)
10:45: Intervalo
11:00: Aristóteles na Antiguidade – António Pedro Mesquita (U Minho)
11:40: Aristóteles árabe – Mário Santiago de Carvalho (U Coimbra)
12:20: Aristóteles latino – José Meirinhos (U Porto)
13:00: Almoço-convívio
15:00: Aristóteles no Renascimento – Giampaolo Abbate (U Lisboa)
15:45: Aristóteles Moderno: Dos conimbricenses à contemporaneidade.
Conceição Camps (Investigadora)/António Manuel Martins (U Coimbra)
16:45: Intervalo
17:00: Aristóteles no século XX – Alejandro Vigo (U Navarra)
18:00: Editar Aristóteles no século XXI – António Pedro Mesquita (U Minho)
18:30 Encerramento

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dicionário Do Mofino 37

Acta, s.f. registo escrito da logorreia ociosa de congressos e reuniões ; na escola, o único género literário conhecido e cultivado, com os consabidos recursos retóricos, as minudências especiosas, a sintaxe soporífera . O género é cultivado sempre que haja um ajuntamento de pelo menos dois professores, embora tenha havido notícia de solilóquios vertidos em acta; a pergunta “quem faz a acta?” costuma gerar um esquema responsivo behaviorista S-R, que se manifesta em reflexos catatónicos amplamente descritos pela literatura: fixação evasiva na tampa da caneta; olhar hagiográfico suspenso num ponto de fuga; ensimesmamento proprioceptivo nos ruídos digestivos e nas luras dos queixais; contrariamente ao que se diz, uma acta não deve ser um relato verdadeiro, mas sim um relato verosímil, isto é, semelhante à verdade. Não se preocupem pois com as pequenas imprecisões e omissões. Poucos se lembrarão do que se passou integralmente e, destes poucos, pouquíssimos quererão ver a acta refeita e relida – acta ne agamus (não cuidemos do que está feito).

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dicionário Do Mofino 36

Habitação, s.f. espaço doméstico onde o ser humano vive e provê abrigo contra as ameaças inofensivas - precipitação, vento, calor , frio, animais ferozes - e se expõe incauto ao convívio familiar; em 1951, escreveu Heidegger um texto seminal para os promotores imobiliários com vocação filosófica intitulado Construir, Habitar, Pensar, no qual defendeu que «a maneira como nós, os humanos, somos na terra é a habitação. Ser humano quer dizer: ser na terra como mortal, isto é: habitar». Desde então não se tem parado de heideggerizar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Internacional Citacionismo – Regresso às Aulas




A única coisa que deveríamos ensinar aos jovens é que não há nada, digamos quase nada, a esperar da vida. Imagine-se um Quadro das Decepções onde constariam as desilusões reservadas a cada um de nós, e que seria afixado nas escolas.

E.M. CIORAN