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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O entusiasmo religioso segundo Swift



No livro "The Mechanical Operation of the Spirit" (1704), Jonathan Swift, homem de humores, analisa o entusiasmo religioso, define-o como "um alcandorar da alma ou das suas faculdades acima da matéria", e descreve as três formas tradicionais de "ejaculating the soul": a inspiração, a partir de cima; a possessão, a partir de baixo; o processo natural de conjunções fortes ou paixão. Acrescenta ainda uma quarta, o arrebatamento auto induzido, resultante de um “efeito de artifício e operação mecânica", e no qual “todas as crenças e práticas religiosas se tornam numa questão de vapores destilados”.
Os juvenis entusiasmam-se, mas a etimologia da palavra entusiasmo faz-nos suspeitar: ser possuído por um deus num tempo em que só um os pode salvar não augura nada de bom.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mentes, que Brilham


Um vaticanista monomaníaco perora na Sky News sobre o seu objecto de estudo, e um atalho esconso da memória relembra-me o Fernando de Bulhões: “Não é sábio quem sabe mais do que é preciso.” A criatura jura e trejura sobre a lisura da contabilidade do Banco do Vaticano, a idoneidade da Cúria, a infalibilidade papal.
Libera nos Domine! Dá Deus vozes a quem não tem mentes. Vade retro!

segunda-feira, 8 de março de 2010

tu és pó e ao pó retornarás

Sempre gostara de breviários - livros persistentes a ressumarem a santidade e unção dos beatérios. Gostava dos hinos coligidos,orações e apólogos,salmos e exempla dos evangelhos.Por isso,naquela quarta-feira de cinzas, alinhou a derradeira linha branca na capa negra cartonada e julgou apropriado pensar: “tu és pó e ao pó retornarás.”

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Al-Karim ("o Nobre")



O teólogo Hans Küng, na sua obra Islam: Past, Present and Future, assevera que o estado do conhecimento do Islão entre muitos dos seus contemporâneos é de “nível medieval”. Embora imprecisa, a adjectivação confessa a ignorância cristã do Islão, que é também a ignorância da sua herança textual matricial – o Corão.

« O primeiro monumento da língua árabe contém, segundo uma compilação do século XIII, 323015 letras, 77439 palavras, mais de 6000 versículos e 114 suratas. Um livro de modesta extensão, comparado aos mastodontes de outros monoteísmos. Mas um livro de difícil acesso, que passa de versículos de beleza selvagem a declarações longas e fastidiosas. É necessário dizer que foi feito para ser recitado, e que neste caso – dizem aqueles que são capazes – possui uma força retórica excepcional. Os outros aproveitarão em pedir aos filósofos-barqueiros que os façam passar da margem para o texto.»

Philosophie Magazine