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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Deus é Humor



Em 2004, num debate entre o filósofo Jürgen Habermas e o Cardeal Ratzinger, o primeiro advogou que a compreensão da tolerância nas sociedades pluralistas reclama de crentes e não crentes o reconhecimento da persistência indefinida de um dissenso. Um dissenso, escrevemos nós, sem mútuas reverências, leis da blasfémia ou persignações dialécticas (que mesmo muitos liberais predicam e praticam), aberto ao exercício racional, ao humor, à eironeía socrática, e àquilo que, no Viver No Fim dos Tempos, Slavoj Žižek chama uma crítica desrespeitosa e não condescendente da religião (e, mutatis mutandis, da política), isto é, uma crítica desrespeitosa das suas pretensões de verdade e natureza sagrada.
Graças a Deus, todas; graças com Deus, nenhuma. Numa sociedade pluralista não há lugar para o rifão piedoso da minha avó Maria.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Deus é Neutro



Nas Escrituras, no grego e no hebraico, Deus é linguisticamente masculino, mas Kristina Schröder, Ministra da Família e da Juventude alemã, propôs aos alemães a neutralização ontológica, gramatical e sexual da divindade. Assim, em vez do artigo masculino der (der Gott) propõe o neutro das (das Gott), suscitando uma enquistada reacção sobre a Teologias Feministas e o politicamente correcto, aplicado à tradução e recepção das escrituras sagradas (questão renitente e pendular, pois já em 2006 fora publicada na Alemanha a Bibel in gerechter Sprache - qualquer coisa como Bíblia em Linguagem mais Justa – em que as questões do género estiveram omnipresentes).
É verdade que, no livro de Isaías, Deus quase se efemina - mas agora grito, como mulher nas dores do parto (43:14) -, mas, a crer em Joseph Ratzinger, a imagem do pai era e é adequada para exprimir a alteridade entre Criador e criatura, a soberania do acto criador. Somente por meio da exclusão das divindades maternas podia o Antigo Testamento levar à maturidade a sua imagem de Deus, a pura transcendência de Deus.
A questão é: assim neutralizado, continuará a sua história a ser um caso de ventura narrativa?
Desde o Anjo Azul que sabemos que os anjos são feminis e, portanto, a vexata quaestio sobre o sexo dos anjos volveu-se, num comenos, na questão sobre o género de Deus. Mas, cá para mim, Kristina Schröder tem cara de anjo mau.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

GOD IS NOT GREAT - O REGRESSO DO CRÍTICO VOLTAIRIANO

Christopher Hitchens

Ele esteve no meio de nós .
Em relação aos mots d'esprit sobre o seu pregresso esquerdismo soixante-huitard, podemos citar Pascal Bruckner e escrever: «Sempre detestei os apóstatas desse período: eles querem-nos envergonhar por não termos partilhado as suas ilusões, e também por não as termos perdido.»
Sobre a derrisão voltairiana da sua crítica à religião, que transformou GOD IS NOT GREAT-The Case Against Religion no equivalente hodierno do Porque não sou Cristão (em alguns aspectos), de Bertrand Russell,escrevemos: não, não, Deus não é um caso de absenteísmo! God is not Great é um livro desassossegador sobre a demasiada omnipresença de Deus.