Quando
chegam aos cinquenta, aqueles que têm muita vocação para si próprios põem
sempre a retórica questão musiliana: "Deve ou não uma pessoa viver de
acordo com o seu corpo?"
terça-feira, 19 de abril de 2016
segunda-feira, 18 de abril de 2016
A Minha Geração fugiu do Século e recluiu-se ontem no Convento de São Francisco, Coimbra, às dezoito horas.
A Minha Geração fugiu do Século e recluiu-se ontem no Convento de São Francisco, Coimbra, pelas dezoito horas.
No princípio era só o verbo, depois vieram os departamentos de Gender Studies e...
Nietzsche temia que não viéssemos a ver-nos livres de Deus
porque ainda acreditávamos na gramática; outros, não menos timoratos, acham que ela não faz o seu género. Moral da estória: no princípio era só o verbo, depois
vieram os departamentos de Gender Studies e...
sábado, 26 de março de 2016
Garanto-vos, queridos amigos, eu que sou um rapaz do campo e a cotio vejo melros e outras vivezas de bico, garanto-vos que nunca vi melros como os do Abrunheiro
Garanto-vos, queridos amigos, eu que sou um rapaz do campo e a cotio vejo melros e outras vivezas de bico, garanto-vos que nunca vi melros como os do Abrunheiro. Alguns já estão habituados: a distracção é para o Daniel Abrunheiro "um santo país do conhecimento". E é por isso que amanhã de manhã, quando a luz começar a rebentar em estilhas debaixo das laranjeiras, vou pegar nesta crónica e esperar.
quinta-feira, 17 de março de 2016
Do alto da sua cobertura na Vieira Souto Millôr Fernandes via, escrevia, via, escrevia... e ria que se fartava.
Se, tal como aqui o
escriba, não percebeu isto, socorra-se dos mestres frasistas brasileiros: um, o
Jobim, assegurava que "o Brasil não é para principiantes"; outro,
Millôr Fernandes, dizia que "acabar com a corrupção é o objectivo supremo
de quem ainda não chegou ao poder". Alguém lembrava, recentemente, o furor
moralizador do PT nos tempos de Fernando Henrique Cardoso e a alcunha vexatória
com a qual foi crismado o seu procurador-geral da República -
"engavetador-geral da República" -, acusado de arquivamento leviano
de processos de corrupção. Do alto da sua cobertura na Vieira Souto Millôr
Fernandes via, escrevia, via, escrevia... e ria que se fartava.
terça-feira, 15 de março de 2016
“Todas estas viagens, toda esta coisa de Heathrow, é uma fuga colectiva da realidade. As pessoas vão até aos balcões do check-in e por uma vez nas suas vidas sabem para onde vão. Pobres bestas, está impresso nos bilhetes."
Recentemente, garantia-me um amigo ser isto o turismo: “hordas de bárbaros voam de continente para continente, de país para país, esbaforidos, sobraçando bagagens, à procura do lugar mítico do catálogo que transformou a viagem num trajecto de reconhecimento, sem lugar para o estranhamento e o inusitado”. E por causa disto, segundo ele, paulatinamente, um certo activismo anti-turismo tem feito o seu caminho crítico e mediático. A mim parece-me bem, mas o que dizer mais da pulsão turística que leva milhões de homens e mulheres a meterem-se em aviões e viajarem milhares de quilómetros, a maior parte deles com trajectos meticulosamente planeados e com destinos que terão de partilhar com outros milhares de estrangeiros, porque os locais, em boa verdade, já debandaram? O turismo, as grandes evasões bárbaras, parecem ser a nova crendice multicultural, como diz David Lodge, celebrado escritor inglês, no seu livro “Notícias do Paraíso”: “católicos, protestantes, hindus, muçulmanos, budistas, ateus - a única coisa que têm em comum é a crença inabalável na importância de ver o Parténon, a capela Sistina, a Torre Eiffel”. Ballard, no “Gente do Milénio”, dá uma explicação, digamos, mais existencial e niilista: “Todas estas viagens, toda esta coisa de Heathrow, é uma fuga colectiva da realidade. As pessoas vão até aos balcões do check-in e por uma vez nas suas vidas sabem para onde vão. Pobres bestas, está impresso nos bilhetes."
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Recentemente, depois de renegares o baptistério da JSD e da austera apostasia liberal, voltaste à fé e crismaste-te social-democrata, e é por isso que te proponho, tão-somente, um módico de conhecimento histórico a partir do nono capítulo do livro Pensar o Século XX, de Tony Judt
Depois de teres sido apanhado, muito leúdo a perleúdo, a falar da Fenomenologia do Ser, de Sartre, ainda pensei em pedir ao Pierre
Bayard que escrevesse um livro intitulado Como
Falar dos Livros que não Existem? Se bem me lembro, dizia a
Agustina que a erudição em política é uma virtude ociosa, por isso, caro Pedro,
nada de leituras fornidas e sortidas, nada de Sartre ou Hegel, nada de
Bernstein ou Voltaire à compita com o Sócrates. Recentemente, depois de
renegares o baptistério da JSD e a austera apostasia liberal, voltaste à fé e crismaste-te social-democrata, e é por isso que te proponho, tão-somente, um
módico de conhecimento histórico a partir do nono capítulo do livro Pensar o Século XX, de Tony Judt. O
capítulo intitula-se A Banalidade do Bem:
o Social-Democrata, e deves lê-lo como o Thomas Bernhard diz que devemos ler qualquer livro: instala-te nele “como numa paisagem, numa estrutura
de um estado”, num quadro. Se lá não couberes, faz o que sempre fizeste:
desarreda ou muda a moldura.
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