terça-feira, 26 de outubro de 2010

Martha Nussbaum - O Que É Preciso Saber?

“ Em 26 de Abril passado, a universidade de Middlesex, a norte de Londres, anunciava o encerramento, por razões económicas, do seu reputado departamento de Filosofia. A mobilização dos estudantes, de grandes figuras intelectuais do mundo inteiro – Judith Butler, Etienne Balibar, Noam Chomsky, Toni Negri, Jacques Rancière, Peter Sloterdijk e Slavov Zizek, designadamente – acabou por produzir efeitos. O departamento não vai desaparecer, apenas será transferido para outro estabelecimento, a universidade de Kingston.”

Courrier Internacional, Setembro 2010


O Courrier Internacional, edição portuguesa, publicou uma versão condensada do primeiro capítulo do livro Not For Profit: Why Democracy Needs Humanities, no qual a filósofa norte-americana Martha Nussbaum pleiteia a causa das Humanidades e reclama a sua presença nos sistemas educativos das democracias. Nussbaum convoca o apólogo Socrático “Uma vida não questionada não vale a pena ser vivida”, salientando que só as Artes e Humanidades permitem a “avaliação dos dados históricos”, a “comparação de diferentes concepções de justiça”, a “avaliação das grandes religiões do mundo”, enfim, um pensamento crítico-argumentativo virtuoso, virtude maior das democracias.
Fernando de Bulhões, vulgo santo António, escreveu que “ não é sábio quem sabe mais do que é preciso”. Mas o saber sobre “o que é preciso” aprender e ensinar carece de uma reflexão filosófica não trivial, para além das orientações políticas liberais do sistema de ensino das democracias (o Infognosticismo do Ministério da Educação, em Portugal, é um exemplo risível), que, soçobrando na voragem dos mercados mundiais, menorizam as Letras, minguam os já depauperados orçamentos dos departamentos de Artes e Humanidades, consideram supérfluos e ociosos todos os saberes que não se concretizem numa estrita techné.

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