quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Diário dos perplexos/Newspeak, a linguagem da reforma do estado


De novo a repetição. Amamo-la porque o futuro continua a acreditar em nós.
No 1984, Orwell analisa com minúcia obsidiante uma língua de pau imaginária, a newspeakque não era usada para significar coisa alguma, mas para, perlocutoriamente, obter um determinado efeito e anular todo o pensamento herético e heterodoxo. 
Bourdieu escreveu sobre as pessoas da sua geração que passaram sem dificuldade de um fatalismo marxista a um fatalismo neoliberal. Em ambos os casos, refere Bourdieu, o economicismo desresponsabiliza e desmobiliza, anulando o político, e impõe uma série de fins indiscutidos: competitividade, produtividade, crescimento máximo, austeridade, flexibilidade. Curiosos, segundo Bourdieu, são os jogos lexicais e duplos jogos verbais da novilíngua desta geração – caso do termo reforma, diria Bourdieu, caso do termo ajustamento, diremos nós – que, segundo uma lógica que é a de todas as revoluções conservadoras, apresentam uma restauração como se de uma revolução se tratasse. Justamente, um ajuste de contas.

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